ARTE EM PEQUENAS MÃOS: pinturas e descobertas
Resumo
ARTE EM PEQUENAS MÃOS: pinturas e descobertas
RESUMO
Este resumo é parte do Trabalho de Conclusão de Curso, do tipo relato de experiência com abordagem qualitativa, que teve como objetivo relatar e refletir sobre uma prática pedagógica com alunos do 1º ano do Ensino Fundamental, tendo como eixo a expressão artística por meio da pintura. A experiência ocorreu em uma escola municipal, no contexto da Prática como Componente Curricular IV (PCC IV), e envolveu técnicas variadas de pintura e releitura de obras de Ivan Cruz. Os resultados indicaram avanços significativos no desenvolvimento criativo, motor e expressivo dos alunos, reafirmando o papel da arte como linguagem educativa essencial.
Palavras-chave: Arte na Educação; Pintura; Ensino Fundamental; Desenvolvimento Infantil; Expressão Criativa.
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho teve como tema a importância da arte na infância, com foco na pintura como linguagem de expressão, criatividade e desenvolvimento integral. A experiência foi realizada em uma escola pública de Guaxupé – MG, a partir do projeto “Arte em Pequenas Mãos”, com uma turma do 1º ano do Ensino Fundamental. O projeto foi motivado pela percepção de que a arte ainda é tratada como atividade complementar, mesmo sendo essencial para o desenvolvimento infantil. Fundamentado em autores como Iavelberg (2003), Barbosa (1991), Lowenfeld (1970), Paiva (2017), Santos e Costa (2022) e Vygotsky (1998), o trabalho busca demonstrar como a pintura pode contribuir para uma educação mais sensível e significativa.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A base teórica se apoia em Iavelberg (2003), Barbosa (1991), Vygotsky (1998), Lowenfeld (1970), Paiva (2017) e Santos e Costa (2022). Iavelberg (2003, p.15) afirma que “a arte é uma forma de conhecimento que possibilita à criança compreender o mundo, expressar seus sentimentos e desenvolver sua sensibilidade, criatividade e imaginação”. Também utilizamos os pressupostos de Barbosa (1991), defensora da arte como forma de cognição e transformação social; e em Vygotsky(1998), que valoriza o papel da mediação cultural no desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Lowenfeld (1970) contribui com importantes reflexões sobre o desenvolvimento da expressão artística infantil, ressaltando a importância de respeitar os estágios da criação para favorecer o crescimento emocional e cognitivo das crianças. Paiva (2017) aponta a urgência de se repensar a educação artística como espaço de inquietações e mudanças que valorizem a experiência estética no cotidiano escolar. Já Santos e Costa (2022) defendem a arte como linguagem potente para o desenvolvimento integral dos sujeitos, especialmente no contexto da educação básica. Além disso, a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017) sustenta a presença das linguagens artísticas como campo fundamental na Educação Básica.
3. MATERIAL E MÉTODOS
Trata-se de uma abordagem qualitativa do tipo relato de experiência, fundamentada em observação participante, diário de bordo, registros fotográficos e análise reflexiva.
A proposta foi desenvolvida em uma Escola Municipal, situada na zona urbana do município de Guaxupé/MG, em 23 de outubro de 2023, com uma turma do 1º ano do Ensino Fundamental anos iniciais, no período vespertino. A turma era composta por 22 estudantes, sendo 21 típicos e um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista ( TEA), o que exigiu atenção especial à inclusão e às adaptações pedagógicas. A escola atende crianças da zona urbana e rural e conta com estrutura adequada, salas organizadas, recursos didáticos diversos , acessibilidade e espaços para exposição de produções.
As atividades foram organizadas em seis etapas, incluindo rodas de conversa, misturas de tintas, apreciação da obra de Ivan Cruz, releituras artísticas e exposição dos trabalhos. A atuação docente priorizou mediação sensível e escuta ativa.
Por se tratar de um relato de experiência, os dados foram tratados para além da descrição experiência próxima, mas para construção e discussão do conhecimento, a partir de análise crítico-reflexiva, constituindo-se a experiência distante, conforme nos aponta Mussi, Flores e Almeida (2021).4. RELATO DE EXPERIÊNCIA
Foram observados avanços significativos na coordenação motora, criatividade, participação coletiva e valorização da expressão individual. As crianças demonstraram grande envolvimento e expressaram sentimentos e ideias por meio da pintura.
As licenciandas atuaram como mediadoras sensíveis, promovendo a escuta ativa, a liberdade de criação e o diálogo com as crianças, conforme defendem Barbosa (1991) e Vygotsky (1998), para quem o aprendizado é construído na interação social e na mediação cultural.
A presença de um aluno com TEA exigiu estratégias de adaptação e acolhimento, garantindo sua participação com respeito às suas especificidades. Segundo Iavelberg (2003), “a mediação sensível do professor é essencial para que todos os alunos se sintam incluídos no fazer artístico”.
Os dados dialogam com estudos de Rodrigues (2013), que ressalta o caráter sensorial e cognitivo da arte, e com Iavelberg (2003), ao reconhecer o potencial transformador das práticas artísticas no currículo escolar. A experiência pontual mostrou que ações planejadas podem gerar efeitos profícuos.
5. CONCLUSÃO
A experiência confirmou que a pintura, quando integrada de forma intencional ao currículo, contribui para o desenvolvimento integral das crianças. O projeto valorizou a expressão artística, fortaleceu a autoestima dos alunos e incentivou a experimentação criativa. Embora pontual, a prática revelou-se eficaz e aponta para a necessidade de ampliar a presença da arte na rotina escolar como um meio de inclusão, cognição e formação humana.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo: Perspectiva, 1991.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 16 jun. 2025.
IAVELBERG, Rosa. Arte na educação escolar: uma abordagem pós-moderna. São Paulo: Moderna, 2003.
LOWENFELD, Viktor; BRITTAIN, W. Lambert. Desenvolvimento da capacidade criadora. 17. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1970.
MUSSI, Ricardo Fraklin de Freitas; FLORES, Fabio Fernandes; ALMEIDA, Cláudio Bispo de. Pressupostos para a elaboração de relato de experiência como conhecimento científico. Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v. 17, n. 48, p. 60–77, 2021. DOI: 10.22481/praxisedu.v17i48.9010. Disponível em: http://periodicos2.uesb.br/praxis/article/view/9010. Acesso em: 23 jul. 2025.
PAIVA, José Carlos de. Inquietações e mudanças na Educação Artística: mais do que nunca uma urgência. Revista GEARTE, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 214–228, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.22456/2357-9854.73802. Acesso em: 28 jul. 2025.
SANTOS, Ana Cláudia; COSTA, Juliana Martins. A importância da arte na educação infantil: contribuições para o desenvolvimento integral. Revista Saberes da Educação, v. 5, n. 1, p. 1–15, 2022.
RODRIGUES, Daniele Nascimento. Pintura na educação infantil: experiências artísticas, descobertas e exploração de técnicas a partir da produção de tintas naturais. 2013. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9KSM5K/1/monogafia_final_1_.pdf
VYGOTSKY, Lev Semionovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.