O TRABALHO COMO PRÁTICA EDUCATIVA
desafios e possibilidades da Educação Não Formal na EPT
Palavras-chave:
Saberes populares, Emancipação, pensamento críticoResumo
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) reconhece a educação como um processo amplo, que ultrapassa os limites das instituições escolares e se manifesta também em espaços não formais. Com base nisso, a educação não formal ganha relevância, sendo compreendida como um espaço potente para o compartilhamento de saberes, fortalecimento da cidadania e desenvolvimento humano. Este trabalho destaca que a educação não formal ocorre em espaços de convivência, nos quais cada sujeito participante tem a oportunidade de ser o educador de seus pares, e tem grande potencial transformador, especialmente quando vinculada a práticas coletivas e movimentos sociais; e destaca também que é essencial romper com a dualidade entre formação técnica e formação humana, ressignificando a EPT a partir de práticas educativas integradoras, baseadas na realidade dos sujeitos e em seus saberes populares. A educação não formal, nesse contexto, emerge como instrumento de resistência e transformação social, capaz de promover a construção da consciência crítica e da autonomia dos sujeitos. Neste cenário, a Educação Profissional e Tecnológica (EPT), prevista na LDB como modalidade destinada à formação cidadã e qualificação para o trabalho, encontra na educação não formal um caminho para ampliar seu alcance e superar limitações impostas pela lógica capitalista. Essa lógica, frequentemente centrada na produtividade e na empregabilidade, reduz o trabalho à estrita função econômica, esvaziando sua dimensão formativa e humanizadora, contrapondo-se ao fato de que a reflexão coletiva sobre a própria realidade pode despertar o desejo pelo conhecimento como direito e instrumento de cidadania. Dessa forma, conceber o trabalho como princípio educativo implica compreendê-lo para além de sua função econômica, como espaço de transformação da natureza e do ser humano. A articulação entre EPT e educação não formal permite resgatar o sentido ontológico e formativo do trabalho, promovendo uma educação voltada à emancipação, à ética e à construção de uma sociedade mais justa. Os desafios, como o reconhecimento da legitimidade pedagógica da educação não formal e a valorização dos saberes populares, convivem com possibilidades concretas de superação do tecnicismo, fortalecimento de práticas libertadoras e promoção de uma formação crítica e integral.