A Agroecologia na Geografia Agrária brasileira
Resumo
Nas últimas décadas, a agroecologia é uma temática que tem despertado o interesse de pesquisadores em diferentes países, inclusive no Brasil. Não só destes, mas de organizações de agricultores, movimentos sociais, instituições públicas e organismos multilaterais. Isso pode ser percebido pela quantidade de publicações sobre o assunto em bases de dados científicas nacionais e internacionais (Candiotto, 2020). Por ser amplamente empregada em pesquisas, relatórios e documentos, a agroecologia envolve diferentes princípios e concepções, além de polêmicas em torno do seu, que demandam pesquisas. De modo geral, existem três abordagens que perpassam os trabalhos acerca do assunto: a agroecologia como ciência, prática e/ou movimento social (Wezel et al., 2009). Os princípios da agroecologia começaram a ser esboçados no final dos anos 1920. No entanto, o primeiro livro que utilizou o vocábulo “agroecologia” no título foi publicado no ano de 1965. Nesse ínterim, ela era apenas uma disciplina científica definida como a aplicação da ecologia na produção agrícola. Na década de 1990, a partir da influência dos movimentos ecológicos e camponeses, originou-se a agroecologia como movimento. Nesta mesma conjuntura, aflorou a percepção de prática que consiste, basicamente, no uso de um conjunto de técnicas e métodos alternativos à agricultura industrial, baseada no consumo elevado de produtos químicos. Pensando na relevância adquirida pela temática nas últimas décadas, assim como as diferentes concepções, princípios e abordagens existentes, a questão a ser respondida por esse trabalho é: nos artigos publicados nos periódicos de Geografia Agrária brasileiros, a agroecologia é abordada como ciência, prática e/ou movimento social?
O estudo da agroecologia é importante não só do ponto de vista científico, mas social, econômico, cultural e ambiental. Isso se deve ao fato de a agroecologia colaborar com a reprodução socioeconômica dos agricultores familiares ou camponeses, resgatar os saberes, as práticas e as culturas regionais, aproximar as práticas agrícolas dos agroecossistemas locais e questionar os limites do sistema alimentar global controlado por grandes corporações. A Geografia Agrária contribui com tais análises ao focar em questões, sobretudo, territoriais, que leva em consideração a multidimensionalidade e pluriescalaridade dos territórios.