VISIBILIDADE NÃO É COMPETÊNCIA
o perigo da autocolocação como intérprete de Libras
Palavras-chave:
Capital simbólico, Mediação linguística, Fiscalização profissional, Direitos linguísticos, Efeito Dunning-KrugerResumo
Este artigo analisa o fenômeno da autocolocação como intérprete de Libras por indivíduos com reconhecimento social, porém sem formação técnica, em contextos comunitários, religiosos e voluntários e que superestimam suas competências tradutórias e interpretativas. Tal prática, embora frequentemente pautada por boas intenções e vínculos afetivos, compromete a mediação linguística adequada, expondo a comunidade surda a interpretações imprecisas e à violação de seus direitos comunicacionais. Fundamentado em autores dos Estudos da Tradução e da Sociologia da Educação, o texto ressalta os riscos éticos, legais e comunicativos dessa atuação improvisada, bem como os impactos na valorização da profissão de TILS. Defende-se, assim, a formação qualificada, a regulamentação efetiva e a fiscalização ética como caminhos para assegurar o direito à acessibilidade plena e o fortalecimento da identidade profissional dos intérpretes de Libras.