Nodulectomia de sarcoma cutâneo: relato de caso

Autores

  • Adrieny Ana Ribeiro Silva Instituto Federal do Sul de Minas Gerais - Campus Muzambinho
  • Luísa C. A. FARIA
  • Isadora V. B. SOUZA
  • Yuan G. R. CAMPOS
  • Tereza C. PEZZUTI
  • Daniel P. ALVES
  • Carolina C. Z. MARINHO
  • Adriano de A. CORTEZE
  • Paulo V. T. MARINHO

Palavras-chave:

cirurgia, neoplasia, sarcoma, quimioterapia

Resumo

 

RESUMO

Sarcomas de tecidos moles são de extrema importância na medicina veterinária pois representam uma grande parcela dos casos oncológicos de rotina. Podem se tratar de neoplasias benignas ou malignas que se apresentam principalmente em pele e subcutâneo. O tratamento destes deve ser feito de maneira adequada, utilizando de uma margem cirúrgica abrangente e de profundidade ideal, além de terapias de suporte após o procedimento cirúrgico, como quimioterapias e radioterapias. O presente relato tem o objetivo descrever a nodulectomia de um cão, SRD, fêmea, de 9 anos de idade, que apresentava nódulos de 3x4cm em região escapular. Após 10 dias de cirurgia, o paciente apresentou boa recuperação. 



Palavras Chave: Cirurgia; neoplasia; sarcoma; quimioterapia; 

 

  1. INTRODUÇÃO

      Os sarcomas fazem parte de um grupo de neoplasias malignas heterogêneas que advém do mesoderma embrionário, sendo que os cutâneos e subcutâneos apresentam uma frequência de 15% de prevalência em cães e gatos (KUNTZ et al., 1997; MOREIRA, 2021). Eles aparecem principalmente na forma de tumores de pele e subcutâneos, mas podem se apresentar em qualquer região do corpo do animal. Estão aptos a serem benignos ou malignos e fazer metástase pela via sanguínea (FORREST, 2007).

       O estudo de Kuntz, et al (1997) indica que o tratamento primário para os sarcomas de tecidos moles (STM) constitui a cirurgia, realizada com ampla margem cirúrgica, sem penetração da cápsula tumoral que envolve o tecido neoplásico e alguns tratamentos mais radicais que incluem a remoção total da região (amputação, em casos de membro afetado).  Porém, a taxa de recidiva após a retirada total do tumor varia de 25 a 62%, valor que irá  depender de diversos fatores como a evolução do caso, tamanho do tumor, tipo de tratamento, como o uso de quimioterapias, radioterapias, entre outros. 

        Apesar da taxa de recidiva ter valor importante, o prognóstico do paciente pode melhorar com base na margem da ressecção tumoral e, apesar de não ser dado como garantia, o tratamento baseado na remoção total da massa neoplásica com vasta margem cirúrgica e a associação com radioterapias são fatores decisivos para o bom prognóstico e por conseguinte, a redução na taxa de recorrência no local (CASTRO, 2019). 

 

  1. MATERIAL E MÉTODOS

Um cão, fêmea, SRD, 19,3 Kg, de 9 anos, foi atendida no Hospital Veterinário do IFSULDEMINAS - Campus Muzambinho. Foi relatado que apresentava nódulos em região escapular esquerda de aproximadamente 3x4 cm, com crescimento rápido e estabilização quanto a seu tamanho.   Foram realizados  exames laboratoriais, ultrassonografia abdominal e citologia, com resultado sugestivo de sarcoma. O animal foi considerado apto à remoção cirúrgica, com envio da amostra para o laboratório de patologia para realização do exame histopatológico, confirmando o diagnóstico de  sarcoma de tecidos moles grau dois. 

 

  1. RELATO DE EXPERIÊNCIA 

Para o procedimento cirúrgico o paciente foi posicionado em decúbito lateral direito, onde foi realizada a tricotomia ampla da região e antissepsia do local. Foi realizada a instilação de 2 ml de azul patente ao redor do nódulo para visualizar a drenagem dos linfonodos e possível remoção de linfonodo axilar. 

Após isso, foi feita a antissepsia definitiva e realizada a identificação da área a ser removida com uma caneta de marcação cirúrgica estéril, respeitando uma margem de 4 cm.  

 

 Figura 1 e 2:  Sarcoma cutâneo com ampla tricotomia e marcação da margem a ser removida. 

                                                            Fonte: Arquivo pessoal  (2025).                                                       

     

 

Foi realizada a ressecção com uma margem de segurança de 4 cm nas laterais e aprofundamento no subcutâneo. (Figura 3). Após a diérese, foi realizada a hemostasia do local por meio de ligaduras e eletrocauterização a fim de conter todo o sangramento. 

 

Figura 3: Nódulo cutâneo retirado de região escapular. 

Fonte: Arquivo pessoal  (2025).   

 

Após a remoção da massa tumoral foi inspecionada a drenagem para o linfonodo axilar, o qual não foi possível visualizar, prosseguindo para o fechamento da ferida cirúrgica.

A aproximação da ferida cirúrgica foi realizada por meio de Walking Suture para obliteração dos espaços mortos. Em seguida, foi feita a síntese do tecido subcutâneo e da pele. O fio utilizado para fechamento de subcutâneo e ligadura de vasos, foi o poliglecaprone 2.0 e para sutura de pele foi utilizado o nylon 4.0. 

A paciente retornou após duas semanas para a retirada de pontos e a mesma apresentava-se com boa cicatrização da ferida cirúrgica. A paciente recebeu alta e foi encaminhada para atendimento oncológico para continuidade do quadro. 

 

  1. CONCLUSÃO

Conclui-se que em casos de sarcoma de tecidos moles, deve ser realizada a ressecção dos nódulos com ampla margem cirúrgica, além da realização de tratamentos complementares a depender da classificação tumoral, para obter-se um prognóstico favorável.

 

REFERÊNCIAS 

 

CASTRO, P. F.; CAMPOS, A. G.; MATERA, J. M. Sarcoma de tecidos moles em cães: a ressecção cirúrgica cura? / Soft tissue sarcomas in dogs: does surgical resection heal? Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP / Journal of Continuing Education in Animal Science of CRMV-SP. São Paulo: Conselho Regional de Medicina Veterinária, v. 17, n. 2, p.48-54, 2019.

 

DOBSON, J.M., Samuel, S., Milstein, H., Rogers, K., Wood, J.L., 2002. Canine neoplasia in the UK: estimates of incidence rates from a population of insured dogs. J. Small Anim. Pract. 43, 240-246.

 

KUNTZ, C. A. et al. Prognostic factors for surgical treatment of soft-tissue sarcomas in dogs: 75 cases (1986-1996). Journal of the American Veterinary Medical Association, Lakewood, v. 211, n. 9, p. 1147-1151, 1997.

 

LIPTAK, J. M., & Forrest, L. J. (2007). Soft tissue sarcomas. Small animal clinical oncology, 4, 425-454.

 

MOREIRA, Andrea Regina Cardoso de Almeida. Estudo de fatores clínico-patológicos em cães com sarcomas de tecidos moles cutâneos e subcutâneos. 2021.




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Publicado

04-12-2025